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sexta-feira, agosto 21, 2026
Clima: um enólogo involuntário?
As mudanças climáticas acabaram por forçar mudanças rápidas nas prateleiras e nos preços. Com base nos dados mais recentes de 2025 e início de 2026 de organismos como a OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) e o INE (Instituto Nacional de Estatística), aqui está como o fator climático está a pesar no bolso do consumidor.
O ano de 2025 foi marcado por extremos que "encolheram" a produção. Em Portugal, a quebra foi drástica: os dados oficiais apontam para uma descida de 14% na produção em relação ao ano anterior, devido a um inverno seco seguido de chuvas excessivas na primavera e ondas de calor no verão. Macau Business +2
Como isto chega ao seu copo?
A matemática é simples: menos quantidade, maior custo de produção. Com menos uvas disponíveis e a necessidade de mais tratamentos fitossanitários para salvar as videiras do "stress térmico" ou de fungos causados pela chuva, o custo por garrafa para o produtor dispara. Este valor é inevitavelmente transferido para o preço final.
França e o "Mínimo Histórico": A França viveu em 2025 um dos seus piores anos de produção desde 1957, com uma quebra estimada de 25% nalguns relatórios. Quando a oferta de um gigante como este cai, a pressão sobre os preços dos vinhos europeus aumenta globalmente.
A "Premiumização" Forçada: Como há menos vinho disponível, as adegas focam-se em vinhos de maior valor acrescentado. Em Espanha, por exemplo, embora se venda menos volume, o valor das vendas subiu, pois o mercado está a empurrar o consumidor para gamas mais caras.
Alteração do Perfil do Vinho: O calor extremo está a produzir uvas com mais açúcar e, consequentemente, vinhos com maior teor alcoólico. Isto obriga a investimentos tecnológicos nas adegas para manter o equilíbrio do sabor, o que também encarece o produto final. Executive Digest +7
Portanto o clima está a tornar o vinho um produto mais raro e tecnicamente mais difícil de produzir, o que consolida a tendência de um consumo mais ocasional, mas de preço mais elevado.
sexta-feira, abril 13, 2012
Quinta do Alqueve Chadonnay 2010 e Casa Santos Lima Sousão 2008
João à Mesa com Quinta do Alqueve Chadonnay 2010 e Casa Santos Lima Sousão 2008
Bom dia! Que tal, como está? Vou andando, mas fiz dois disparates… iguais. Por que carga de água me havia de esquecer de fazer apontamento de dois belos vinhos tragados cá em casa? Aguardei umas semanas, com procuras sistemáticas e frequentes, e verifiquei o que temia e desconfiava: não tomei notas.
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Porém, dois belos vinhos merecem referência no blogue, nem que seja para dizer que são bons. Embora tenha na memória características, não estão a ponto de me sentir confortável para escrever a crónica que merecem. Por isso também não lhes irei dar uma nota. Fico-me por umas generalidades.
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Primeiro: o Quinta do Alqueve Chadonnay 2010 prova que o Ribatejo aka Tejo tem boas condições para fazer bom vinho e que há quem o esteja a fazer. Eu, que implico tanto com as castas estrangeiras nas nossas regiões, não posso deixar de salientar a qualidade dum produto. A cara da garrafa é bonita, ilustrada com um peixe muito feio, o charroco.
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Segundo: o Casa Santos Lima Sousão 2008 prova que esta casta pode dar bons resultados. Se no Douro, onde a tratam também por sousão, entra bem em lotes, completando-os, na região dos Vinhos Verdes, ali chamada de vinhão… continuo sem acreditar que haja um bom Verde tinto. Ali na Estremadura aka Lisboa faz-se do bom. Não é para menos, é a Casa Santos Lima quem o produz. Deste produtor tenho ainda a dizer que, uma vez que lá fui em reportagem para o Da Terra Ao Mar, da RTP 2, provei um belíssimo moscatel, não fortificado, que me caiu muito bem. Recordo-o com saudade e carinho.
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Tenho ainda a dizer: obrigado Mafalda Félix, da Garrafeira Campo de Ourique, por mais uma vez acertares nas dicas. Abraço ao mestre Arlindo Santos, que bem se sabe rodear de produtores e vinhos de qualidade.
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